Mastigação unilateral predominante:
Suas consequências

Consequências dos desequilíbrios da função mastigatória

Muitas são as consequências de uma mastigação unilateral. Podemos, como analogia, pensar se exercitássemos apenas um lado do corpo. Todo o corpo responderia de modo diferente, com músculos mais desenvolvidos de um lado do que do outro, com problemas de dores, coluna etc.

O mesmo ocorre na boca, e para que isso não ocorra a mastigação e oclusão devem estar equilibradas.

Falta de crescimento e desenvolvimento maxilomandibular
Ocorre em razão da falta de estímulos funcionais harmônicos, equilibrados e em intensidades menores que o necessário para o desenvolvimento. Os estímulos vão desde a amamentação natural e boa respiração, sincronizadas, até a mastigação dos alimentos duros na fase da mastigação.
Falta de espaço para a erupção dos dentes
Em razão da falta de crescimento e desenvolvimento, os dentes não têm espaço para nascer. É preciso provocar o crescimento e o desenvolvimento artificialmente.
Dentes tortos
Em razão da falta de crescimento e desenvolvimento maxilomandibular, os dentes, ao se formarem dentro do osso, não têm espaço. Formam-se tortos e ao nascer estão girados e muito mal posicionados.
Mal posicionamento dental
Em razão da falta do crescimento também ocorre a erupção dental em local diferente daquele em que o dente deveria nascer.
Desconforto oclusal
O paciente sente desconforto ao ocluir os dentes e sente que o posicionamento de suas arcadas não é confortável. Esta sensação se dá no ato de fechar a boca ou no ato da mastigação propriamente dita. O paciente sente que sua boca nunca está relaxada.
Mastigação unilateral predominante
É um fenômeno físico. Ocorre por um desvio em algum momento da mastigação, em que se fica mais fácil mastigar de um lado do que do outro.
Bruxismo e Briquismo
Bruxismo é o hábito noturno de apertar os dentes e rangê-los. No briquismo ocorre atrito entre os dentes durante o dia – pode-se ranger ou não os dentes – e acontecem as mesmas consequências do bruxismo.
Trauma Dental

É uma das principais causas da perda dos dentes quando somos adultos. Todo trauma de baixo limiar de intensidade, mas constante, causa perda óssea e pode acarretar na perda dental. Também causa problemas periodontais (de gengiva).

Quando o paciente apresenta sérios problemas nas gengivas, com ajustes oclusais ou desgastes seletivos, podemos agir de forma a estabilizar e reverter a doença periodontal, aliado ao tratamento periodontal.

Imaturidade muscular e problemas fonoarticulatórios

A mastigação desequilibrada influencia o desenvolvimento muscular, causando imaturidade funcional dos músculos que envolvem a mastigação. Essa imaturidade provocará problemas fonoarticulatórios, ou seja, problemas nos músculos que a envolvem.
Esses, não tendo condições de exercer seu desenvolvimento e sua função, agravarão o desequilíbrio da mastigação criando um círculo vicioso, de pioras constantes. Poderão acontecer problemas de desenvolvimento da fala e também do sistema respiratório como um todo.

Perda óssea dental em razão de traumas ocorridos no ato da mastigação ou fechamento da boca
Nestas situações os dentes sofrem traumas, uns batendo antes dos outros, gerando perdas ósseas. Também pode gerar problemas endodônticos (de canal).
Dores nos músculos que envolvem a mastigação
Nesta situação, em razão do desequilíbrio funcional no ato da mastigação, os músculos trabalham, mas sua atuação é desequilibrada em cada lado da face. Nas bocas com traumas, nos desvios ocorridos em razão dos dentes (oclusão), os músculos são submetidos a estresse, sofrendo então inflamação ou microinflamação e dor.
Dores de cabeça
Em razão do posicionamento oclusal alterado, os músculos que envolvem a cabeça trabalham em estresse, podendo as dores seguirem para a região da cabeça e pescoço. Muitas dores ocorrem na região das têmporas, ao lado dos dentes, masseter, região da nuca e acima dos olhos. Deve-se fazer uma detalhada anamnese para evidenciar se as dores têm origem na boca ou outros órgãos da face.
Dores na ATM (Articulação Temporomandibular)

Em razão da função desequilibrada acumulada por um tempo, ocorrerão alterações internas nas ATMs que poderão gerar dores, artrites e até artroses, dependendo do tempo da função desequilibrada e sua intensidade.
Popularmente, quando uma pessoa tem problemas de dor de cabeça, desconforto oclusal ou mastigatórios, dá-se o nome de “problemas da ATM”.
Mais precisamente, os “problemas da ATM”, tão comuns nos dias de hoje, têm origem na oclusão – a relação harmoniosa entre as mandíbulas –, e não apenas na Articulação Temporomandibular (ATM). Na maioria dos casos também está associada ao estresse.
Suas manifestações mais comuns são as dores de cabeça e desconforto oclusal durante a mastigação. Podem ocorrer, no entanto, sem uma percepção clara por parte das pessoas, ou seja, sem manifestações clínicas. Os problemas de desequilíbrio mastigatório causarão, mesmo quando imperceptíveis, grandes complicações e transtornos à frente, como problemas de perda óssea, dores articulares, dores de cabeça, cansaço muscular, problemas endodônticos etc.

Problemas intrínsecos articulares
Ocorrem dentro das articulações, geralmente devido a uma carga funcional por um longo tempo, gerando distorções e problemas internos, diretamente nas ATMs. Pode ocorrer deslocamento do disco articular. Nesta situação, é possível uma diminuição ou desvio de abertura de boca, travamento ou até mesmo a não abertura da boca, artrites e artroses, gerando alteração no funcionamento das ATMs.

É importante saber que em muitos casos pessoas que têm problemas articulares e oclusais não sentem qualquer tipo de manifestação clínica ou dor. Porém, os desequilíbrios oclusais existentes, a cada momento, se agravarão e poderão ampliar problemas no futuro, muitas vezes irreversíveis.

 
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